Artur Lescher, Maneco Quinderé
A obra de Artur Lescher (São Paulo, 1962) materializa ideias no campo da abstração, articulando geometria e precisão técnica como motores da forma no espaço. Suas esculturas instauram relações tensas entre volume e ambiente, ativando o corpo do espectador diante de fluxos, suspensões e instabilidades que reorganizam a percepção espacial. A forma apresenta uma lógica estrutural e, ao mesmo tempo, explora a capacidade de interferir no ambiente, instaurando uma dialética entre corpo, matéria e percepção.
Desde o início de sua trajetória, Lescher investiga a matéria como operador de pensamento. Em suas instalações, peso, equilíbrio, tensão e gravidade constituem a poética. Essa abordagem amplia a compreensão da arquitetura além das estruturas fixas: o espaço se define também pelos elementos que o habitam, e a obra surge como interlocução ativa com esse contexto. A arquitetura adquire ressonância a partir de uma escuta minuciosa de suas condições, como se cada objeto estabelecesse uma conversa direta com o ambiente que o circunda.
Na primeira colaboração com a ATORIĒ, o artista reúne sua cultura de projeto — que articula rigor formal, desenho preciso e domínio de processos produtivos — à expertise técnica da galeria e de seus fornecedores especializados. O resultado é um conjunto de luminárias-esculturas desenvolvidas em colaboração com o iluminador e lighting designer Maneco Quinderé (Teresina, 1963), combinando madeira e pedra em volumes usinados industrialmente. A produção mobiliza tecnologia de ponta para alcançar superfícies regulares, contornos exatos e a irradiação de uma forma que converge para a essência abstrata da geometria.
