Tamar Guimarães e Kasper Akhøj
O trabalho da dupla de artistas Tamar Guimarães (Viçosa, 1967) e Kasper Akhøj (Copenhague, 1976) se desenvolve, sobretudo, a partir das imagens em movimento. Seus filmes frequentemente extrapolam o suporte cinematográfico e se manifestam no espaço expositivo por meio de esculturas, objetos e dispositivos que dialogam diretamente com a narrativa fílmica. Essa pluralidade material nasce do interesse dos artistas pelos hibridismos (refletido no próprio fato de produzirem como uma dupla apesar de terem práticas artísticas individuais), tanto nas formas de construir um discurso e contar uma história quanto nos complexos entrelaçamentos socio-históricos dos contextos que investigam.
A produção conjunta de Guimarães e Akhøj estrutura-se a partir de pesquisas sobre histórias culturais conectadas, friccionando noções de temporalidade, civilização, alegoria e narração.
A dupla se interessa pelo limiar entre ficção e factualidade, revelando como determinados episódios históricos carregam níveis de complexidade e improbabilidade que se aproximam da fabulação. Da mesma forma, a ficção, em seus trabalhos, opera como método crítico para tornar visíveis camadas profundas da realidade social.
Um eixo recorrente em suas obras é a pós-vida dos objetos: a sucessão de usos, de proprietários, de contextos geográficos e temporais. Esses deslocamentos evidenciam a porosidade das narrativas históricas e ativam conexões rizomáticas que escapam a estruturas lineares de tempo, frequentemente moldadas por uma lógica funcional e utilitária. Ao acompanhar esses trânsitos, os artistas ampliam a própria noção de função, deslocando-a da eficiência produtiva para campos contemplativos, ornamentais, atmosféricos e discursivos.




